Advertência

A Esquizofrenia Cor de Rosa é um espaço onde são despejados pensamentos, o mais inalterados possível da sua forma primordial. Não se pretende aqui construir um "cantinho" de discussão científica, filosófica, religiosa, histórica ou de qualquer outra índole. A realidade dança o tango com a ficção; o senso comum luta com a ciência, numa batalha onde ninguém sairá vencedor. Cabe-lhe a si, leitor, interpretar da maneira que lhe aprouver. Sinta-se livre para comentar, criticar ou lançar sugestões!

domingo, fevereiro 06, 2011

Burlesque


Se há coisa que eu sempre gostei de ver são gajas giras e boas a dançar com roupas sensuais e cheias de estilo. E esta ainda por cima canta (e bem!). Maquilhagem e outros retoques aparte, ela é lindíssima.

Quando vi pela primeira vez o cartaz do filme, pensei "Hmm...Cher e Christina Aguilera num filme... Tenho de ver isto". E não me arrependi.

Nunca fui grande fã de musicais. Talvez a minha mente seja demasiado realista e quadrada... Mas sempre me irritou estar a ver uma história mais ou menos interessante e, de repente, os actores começarem a cantar e a dançar do nada. Não faz sentido nenhum. Tira todo o realismo à coisa. Mesmo quando assistimos a uma ficção científica, o escopo do filme anda à volta de o assemelhar à realidade. É isso que se quer numa história, que ela (por muito surrealista que seja) tenha um toque de verosimilhança tal que nos transporte para lá, que nos faça acreditar que aquilo poderia acontecer, nem que fosse num universo paralelo. E nos musicais isso nunca acontece pois, a não ser que andássemos todos sob o efeito de alucinogénicos, ninguém seria capaz de viver o dia-a-dia como se fosse uma Dorothy Gale.

E eis que hoje encontrei o Burlesque num formato de qualidade bastante aceitável (shiu, não leram isto aqui!) e perdi a cabeça. Não fiquei nada desiludida. Afinal não é um musical - não, pelo menos, na minha definição de musical. É uma história vulgaríssima, da miúda do interior cheia de talento que pega nos seus trapos e vai para a cidade tentar ser alguém.

Vejam lá que eu nem me dei ao trabalho de ver um trailer do filme para ter uma ideia do que dali ia sair! (Às vezes faço isso, para não fazer ideia nenhuma do que vai acontecer.) E, apesar de a história em si não ter surpreendido, as músicas e as coreografias são fantásticas. Já para não falar da melhor surpresa! Sabem quem é o Eric Dane? Aquele que encena o cirurgião plástico com mais pinta e ar de filha-da-putice que alguma vez se poderá encontrar numa série? Estou a falar do Mark, aka McSteamy, de Grey's Anatomy.

Pois é, esse charme de homem aparece no filme. E a vadia que vive dentro de mim rezou o tempo todo para ver a personagem principal numa cena badalhoca com ele. Mas não. Nichts, niente! Vai apaixonar-se por um rapazote com ar de paneleirão e, como santinha que é, não se mete com mais ninguém, mesmo sabendo que podia ter o mundo inteiro a seus pés. Mas tirando isso, recomendo vivamente o filme. =)

domingo, janeiro 30, 2011

Não há nada pior que um wc público





Quando era miúda, se fosse a uma casa de banho no café da vila, lavava as mãozinhas num pedaço de sabão azul e branco e limpava-as numa toalha de felpo com rendas e flores pirosas bordadas. Mas agora não. Agora há higiene e saúde por todo o lado! As casas de banho públicas não escaparam às modernices da nova era.

... Ou então não.

Se há memória que não engana, é a do olfacto. E os wc continuam a cheirar igualmente mal. Não vamos estar com eufemismos. Cheiram a chichi ressequido e a merda. Tal como sempre cheiraram. Só que antigamente usava-se lixívia ao final do dia de trabalho e agora lava-se o chão de 3 em 3 horas com qualquer coisa que o deixa escorregadio a tal ponto que é preciso avisar os potenciais utentes com sinais gráficos amarelos.

As toalhas de felpo podiam não ser a melhor escolha, pois não sabemos se quem se limpou lá antes de nós lavou bem as mãos ou se tinha doenças contagiosas. É verdade.

O sabonete líquido evita que se passem os germes de umas pessoas para as outras, sim senhor.

Mas cerca de 60% das vezes que se lava as mãos num wc público, não há sabonete. E o pior é que além de só passarmos as mãos por água, vamos secá-las em máquinas que deitam ar quente. Além de se gastar energia, promove-se o desenvolvimento de bactérias nas mãos.

Ora mas que rica higiene!

terça-feira, janeiro 18, 2011

Nothing Good Happens After 2 A.M.

É o que dá conversar no facebook a estas lindas horas...
 - mas afinal estás no puerto ainda?


 - sim


 - deixa essa terra que isso é de badalhocas!


 - até fevereiro, cá vou ficar


 - isso é terra de badalhocas!

a gramática foi pela pia abaixo

Anda por aí uma moda parva, ridícula, atrofiante e insolitamente ESTÚPIDA de dizer "ah e tal... é um personagem".

É O QUÊ??? É UH QUIÊH?!?!?! [indignação com sotaque do Porto]

Oh meus amigos... vamos lá ver uma coisa: a língua portuguesa (como tantas outras línguas e tantas outras manifestações culturais) já é machista só por si! O macho anda por todo o lado a exibir o pêlo facial e os tomatinhos inchados, todo pintarolas porque tem o órgão sexual no exterior do corpo. E acha-se o maior por causa disso. Sempre achou.

Pois eu acho que ter o órgão sexual no interior do corpo é bem melhor! E também sempre o achei. Nunca fiquei com a passarinha entalada no fecho das calças, nem nunca amassei as bolas a andar numa bicicleta (tudo bem que também causa algum desconforto, mas essa não é a questão essencial).

Se estiver à nossa frente um homem, diz-se "Ele"; se estiver uma mulher, diz-se "Ela"; se estiver um homem e uma mulher, diz-se "Eles... Se estiverem vinte mulheres e um homem, diz-se "Eles".

Isto é suficiente para me causar indignação que chegue a propósito do cheiro a macho na língua portuguesa. Era só o que me faltava ter que aturar com "o personagem para cá" e "o personagem para lá". Não tendes uma gramática em casa, senhores jornalistas, escritores e afins? Não andasteis na escola primária, tal como eu andei? Ou será que só eu é que aprendi que "personagem" é um SUBSTANTIVO COMUM DE NÚMERO SINGULAR E GÉNERO FEMININO???

sábado, janeiro 08, 2011

"Nunca se diz adeus"


"When life gives you lemons, make lemonade".

Fazer limonada no inverno não é coisa fácil. Especialmente na altura do Natal, da família, das festas no ano novo e da preparação dos exames.
Quando a alegria dos outros nos é indiferente algo está mal. Da mesma forma que algo está mal se a nossa tristeza não afectar ninguém. Acho que todos nós vemos o que queremos ver e sentimos o que nos apetece sentir. Mas até que ponto a mente tem a força de se cingir aos seus objectivos?

Gosto de acreditar que uma boa bofetada dada pela vida é um incentivo para despertar, para ligar ao que de facto interessa. Sempre me disseram que o sofrimento nos torna mais fortes, que purifica a alma. Bem, se ter a alma forte e pura é o mesmo que a ter vazia, então parece que é verdade.

Não é suposto as convicções serem efémeras. Não é suposto fazer escolhas quando não acreditamos no seu sucesso. O que se chama então a quem o faz? Hipócrita, talvez. Irracional.

Sei que colocar neste blog este tipo de pensamentos faz tanto sentido como colocar roupa a secar ao ar livre num dia de chuva. Mas dei ao blog o nome de esquizofrenia por algum motivo. Se a esquizofrenia é o caos, não há lugar para o método nem para a organização, muito menos para a rotina.

A vantagem de se ser louco é podermos fazer e dizer o que quisermos, pois as pessoas tidas como "normais" acabam por não ligar, porque não têm a capacidade de ver o que está para além do palpável e comum.

Entre genialidade e loucura há uma linha muito ténue. Aliás, andam quase sempre de mãos dadas. Questiono-me se aqueles que dão o salto para o mundo da fantasia não o fazem por ser tão aborrecido e revoltante viver no mundo das pessoas banais. Acho que muitos dos loucos chegaram a um ponto em que, para fugir à insanidade, a única solução seria tornarem-se vulgares e decidiram não o fazer.

Ser louco não é desculpa para virar as costas àqueles de quem gostamos. E, por isso mesmo, quando sentiste que não te restava muito tempo, tentaste voltar atrás e emendar parte dos teus erros. Contudo, há atitudes que não podem ser apagadas da memória como quem pressiona a tecla "delete". Mas eu sei que fizeste um esforço, sei que tinhas um bom coração e que, se pudesses, estarias aqui para fazer as coisas de outra forma.

Acho que te compreendia mais do que imaginavas. E acho que não sabes (tal como eu não sabia) que me fazes falta. Uma parte de mim morreu contigo, mas algo de ti vai continuar a viver em mim.

Nunca dizias "adeus" nem gostavas que to dissessem, portanto também não vai ser agora que o vou dizer. Até qualquer dia, pai.

segunda-feira, outubro 25, 2010

Quando o traseiro muda de lugar

Há emails que ainda valem a pena ser lidos. Não ficamos mais cultos nem aprendemos lições de vida, mas às vezes sabe tão bem rir da desgraça alheia...


Não reclames do cu que está pequeno, grande ou flácido.
O pior é quando o cu muda de lugar!


sábado, setembro 25, 2010

A Forma das Coisas

Ele pegou no frasco e fixou-o por alguns minutos. Analisou o líquido azul-claro e a sua consistência. Viu o seu reflexo no prateado da base. Reflectiu. Por fim, disse: "Isto faz-me lembrar um instrumento que se usava na tropa".


Ela olha para ele, e logo a seguir para o frasco. Responde: "A mim, parece-me uma torneira".