Advertência

A Esquizofrenia Cor de Rosa é um espaço onde são despejados pensamentos, o mais inalterados possível da sua forma primordial. Não se pretende aqui construir um "cantinho" de discussão científica, filosófica, religiosa, histórica ou de qualquer outra índole. A realidade dança o tango com a ficção; o senso comum luta com a ciência, numa batalha onde ninguém sairá vencedor. Cabe-lhe a si, leitor, interpretar da maneira que lhe aprouver. Sinta-se livre para comentar, criticar ou lançar sugestões!

quinta-feira, novembro 03, 2011

E tu, guias-te pelos prazos?


Se há coisa que me mete nojo é gente que organiza a sua vida em função dos prazos de validade da comida.


"Oh Francisca, tu come os iogurtes hoje porque o prazo de validade é dia 5 e já estamos a 3!". Já sabemos o que vai ser o jantar da Francisca: quatro iogurtes e uma sopa (ok, a parte da sopa não sabemos... Mas parece-me socialmente reprovável fazer um jantar só com iogurtes).


Pergunto-me o que fará esta gente quando se esquece da embalagem de manteiga ao sol numa tarde de verão. Se ainda tiver seis meses de validade segundo o rótulo, com certeza que não será o aroma a ranço que vai obrigar a deitar fora uma iguaria que tem ainda tantos dias gloriosos pela frente. É por estas e por outras que o prazo de validade é a Maya da indústria alimentar.


Antigamente não havia laboratórios de controlo de qualidade, nem havia engenharia alimentar (nem outros cursos do género, cuja função é dar emprego a duas dúzias de pessoas e conduzir centenas delas ao desemprego e à emigração). Com efeito, não havia regras que obrigassem a colocar datas que prevêem com (pouca) precisão o dia em que os ovos deixam de estar aptos para o consumo. As pessoas avaliavam o bom ou mau estado da comida pela sua cor, textura e cheiro.


Gostava de poder ensinar a essa gentinha medíocre, que vive os dias de acordo com os ditames dos carimbos, que os prazos de validade não são normas imperativas que obrigam a atirar a comida para o lixo mal se atinja aquele prazo, sob pena de aplicação da secção dos Crimes Contra a Integridade Alimentar, prevista no Código Penal.


Para quem ficou na dúvida: não, essa secção não existe... Mas devia! Deviam punir a escumalha que deita fora comida em perfeitas condições por causa do prazo de validade. E a pena aplicável deveria ser um carimbo na testa com uma mensagem do género "Não sou capaz de comer ovos caseiros porque não têm prazo de validade", um pouco à semelhança do que se faz com as advertências nos maços de tabaco. E isto faz todo o sentido, se pensarem bem, pois a convivência regular e contínua com estas pessoas (tal como com o tabaco) provoca uma morte lenta e dolorosa.

3 comentários:

João Cerveira disse...

Só mesmo a ASAE não permite que se venda fora do prazo de validade :P
(o que faz as delicias de muita gente, carenciada, que, vendo os hiper/supermercados deitar fora produtos ainda por abri, vai la busca-los)

Por momentos, a meio do texto, pensei que ias falar do prazo de validade da Maya.

Ana Sá disse...

Eu não ligo nenhum a prazos. Lembro-me que um professor nosso (;-) ) costumava contar que as datas de validade nos iogurtes são falsas, porque quando estão a terminar as marcas recolhem-nos e põem novas, até atingir um dado limite. Mas sim, conheço muito boa gente que deita muita comida fora até antes do prazo acabar, porque o prazo já está no fim...

Como diz a minha mãe, como é que o iogurte está dentro da caixinha e consegue ler a tampa, do lado de fora, onde diz que o seu prazo já terminou?

Teresa Sanches disse...

A tua mãe é uma pessoa muito ponderada, estimada colega! =)