Advertência

A Esquizofrenia Cor de Rosa é um espaço onde são despejados pensamentos, o mais inalterados possível da sua forma primordial. Não se pretende aqui construir um "cantinho" de discussão científica, filosófica, religiosa, histórica ou de qualquer outra índole. A realidade dança o tango com a ficção; o senso comum luta com a ciência, numa batalha onde ninguém sairá vencedor. Cabe-lhe a si, leitor, interpretar da maneira que lhe aprouver. Sinta-se livre para comentar, criticar ou lançar sugestões!

terça-feira, janeiro 18, 2011

Nothing Good Happens After 2 A.M.

É o que dá conversar no facebook a estas lindas horas...
 - mas afinal estás no puerto ainda?


 - sim


 - deixa essa terra que isso é de badalhocas!


 - até fevereiro, cá vou ficar


 - isso é terra de badalhocas!

a gramática foi pela pia abaixo

Anda por aí uma moda parva, ridícula, atrofiante e insolitamente ESTÚPIDA de dizer "ah e tal... é um personagem".

É O QUÊ??? É UH QUIÊH?!?!?! [indignação com sotaque do Porto]

Oh meus amigos... vamos lá ver uma coisa: a língua portuguesa (como tantas outras línguas e tantas outras manifestações culturais) já é machista só por si! O macho anda por todo o lado a exibir o pêlo facial e os tomatinhos inchados, todo pintarolas porque tem o órgão sexual no exterior do corpo. E acha-se o maior por causa disso. Sempre achou.

Pois eu acho que ter o órgão sexual no interior do corpo é bem melhor! E também sempre o achei. Nunca fiquei com a passarinha entalada no fecho das calças, nem nunca amassei as bolas a andar numa bicicleta (tudo bem que também causa algum desconforto, mas essa não é a questão essencial).

Se estiver à nossa frente um homem, diz-se "Ele"; se estiver uma mulher, diz-se "Ela"; se estiver um homem e uma mulher, diz-se "Eles... Se estiverem vinte mulheres e um homem, diz-se "Eles".

Isto é suficiente para me causar indignação que chegue a propósito do cheiro a macho na língua portuguesa. Era só o que me faltava ter que aturar com "o personagem para cá" e "o personagem para lá". Não tendes uma gramática em casa, senhores jornalistas, escritores e afins? Não andasteis na escola primária, tal como eu andei? Ou será que só eu é que aprendi que "personagem" é um SUBSTANTIVO COMUM DE NÚMERO SINGULAR E GÉNERO FEMININO???

sábado, janeiro 08, 2011

"Nunca se diz adeus"


"When life gives you lemons, make lemonade".

Fazer limonada no inverno não é coisa fácil. Especialmente na altura do Natal, da família, das festas no ano novo e da preparação dos exames.
Quando a alegria dos outros nos é indiferente algo está mal. Da mesma forma que algo está mal se a nossa tristeza não afectar ninguém. Acho que todos nós vemos o que queremos ver e sentimos o que nos apetece sentir. Mas até que ponto a mente tem a força de se cingir aos seus objectivos?

Gosto de acreditar que uma boa bofetada dada pela vida é um incentivo para despertar, para ligar ao que de facto interessa. Sempre me disseram que o sofrimento nos torna mais fortes, que purifica a alma. Bem, se ter a alma forte e pura é o mesmo que a ter vazia, então parece que é verdade.

Não é suposto as convicções serem efémeras. Não é suposto fazer escolhas quando não acreditamos no seu sucesso. O que se chama então a quem o faz? Hipócrita, talvez. Irracional.

Sei que colocar neste blog este tipo de pensamentos faz tanto sentido como colocar roupa a secar ao ar livre num dia de chuva. Mas dei ao blog o nome de esquizofrenia por algum motivo. Se a esquizofrenia é o caos, não há lugar para o método nem para a organização, muito menos para a rotina.

A vantagem de se ser louco é podermos fazer e dizer o que quisermos, pois as pessoas tidas como "normais" acabam por não ligar, porque não têm a capacidade de ver o que está para além do palpável e comum.

Entre genialidade e loucura há uma linha muito ténue. Aliás, andam quase sempre de mãos dadas. Questiono-me se aqueles que dão o salto para o mundo da fantasia não o fazem por ser tão aborrecido e revoltante viver no mundo das pessoas banais. Acho que muitos dos loucos chegaram a um ponto em que, para fugir à insanidade, a única solução seria tornarem-se vulgares e decidiram não o fazer.

Ser louco não é desculpa para virar as costas àqueles de quem gostamos. E, por isso mesmo, quando sentiste que não te restava muito tempo, tentaste voltar atrás e emendar parte dos teus erros. Contudo, há atitudes que não podem ser apagadas da memória como quem pressiona a tecla "delete". Mas eu sei que fizeste um esforço, sei que tinhas um bom coração e que, se pudesses, estarias aqui para fazer as coisas de outra forma.

Acho que te compreendia mais do que imaginavas. E acho que não sabes (tal como eu não sabia) que me fazes falta. Uma parte de mim morreu contigo, mas algo de ti vai continuar a viver em mim.

Nunca dizias "adeus" nem gostavas que to dissessem, portanto também não vai ser agora que o vou dizer. Até qualquer dia, pai.

segunda-feira, outubro 25, 2010

Quando o traseiro muda de lugar

Há emails que ainda valem a pena ser lidos. Não ficamos mais cultos nem aprendemos lições de vida, mas às vezes sabe tão bem rir da desgraça alheia...


Não reclames do cu que está pequeno, grande ou flácido.
O pior é quando o cu muda de lugar!


sábado, setembro 25, 2010

A Forma das Coisas

Ele pegou no frasco e fixou-o por alguns minutos. Analisou o líquido azul-claro e a sua consistência. Viu o seu reflexo no prateado da base. Reflectiu. Por fim, disse: "Isto faz-me lembrar um instrumento que se usava na tropa".


Ela olha para ele, e logo a seguir para o frasco. Responde: "A mim, parece-me uma torneira".

quinta-feira, agosto 26, 2010

Modernices e Paneleirices

  Ir ao hipermercado já não é a mesma coisa. Hoje em dia perco-me no corredor dos cereais. Para encontrar os meus Chocapic, ponho os olhos em cima de 50 variedades de cereais. Já nem os típicos cereais de dieta (que têm praticamente tantas calorias como os outros) se cingem aos flocos integrais e àquela espécie de batata frita palha, que mais me parece comida de galinhas. Parece-me incrível que cereais de dieta tenham chocolate de leite... Mas posso ser só eu a dar em doida ou simplesmente a ser vítima da publicidade enganosa.

  No corredor dos iogurtes encontro o puro sofrimento. Para encontrar iogurtes líquidos ou iogurtes com pedaços, entro em hipotermia. Há iogurtes de soja para quem não pode consumir leite; há iogurtes sem lactose, para quem não pode consumir leite mas o quer consumir na mesma e não está com paciência para sentir o cheiro a ovos e a couves nas horas subsequentes, seguido de uns bons três quartos de hora a ler jornais na casa de banho; há iogurtes para crianças, para bebés, para mulheres na menopausa, para gente com prisão de ventre, para gente com osteoporose, para gente com hipercolesterolémia e ainda para gente com hipocondríase.

  Nem na secção dos aperitivos uma pessoa pode fazer compras tranquilamente. Já não há batatas fritas com sabor a batatas fritas. Temos batatas fritas picantes, de churrasco, camponesas, rústicas, gourmet, de picanha, tosta mista, ketchup, cheeseburger... Meu Deus! E o mais caricato é que, apesar de todos estarmos fartos de saber que os fritos fazem mal e que os fritos industriais são ainda piores por causa dos óleos manhosos queimados, as batatas fritas surgem com uma pirâmide da alimentação equilibrada no verso da embalagem. Querem enganar quem?

  A filosofia das batatas também se estendeu para a água. Ainda me lembro da altura em que, quando se pedia uma água num café, o empregado apenas tinha que se preocupar em questionar-nos se queríamos água fresca ou natural, com ou sem gás. Nos dias que correm é só águas com sabores, com mais gás ou menos gás; águas vitaminadas; garrafas de água para viagem, para crianças, para desportistas... Águas de spa com sabor a ervas e águas estrangeiras que custam mais que vinho, mas sabem muito pior que as nossas.

  Nem a pobre da cerveja escapou a esta explosão de variedade. Desde a cerveja sem álcool, que tem álcool na mesma, mas em teor quase imperceptível, à cerveja green, ou seja, verde (que me parece ser amarela mas se calhar é só a mim), às rústicas, aos panachés, à cerveja preta, à ruiva e à loira... E acabando na invenção das cervejas com sabor a fruta. É, claramente, a invasão da comunidade homossexual no mercado. Não sou apreciadora de cerveja. Mas se fosse, acho que a quereria de uma só maneira: com MAIS álcool. Ora, se é para beber e ficar alegre, se a cerveja é mais diurética que a água, mais vale beber uma ou duas concentradas e fazer logo a festa. Hei-de fazer chegar esta minha visão aos produtores de cerveja nacionais. E, quem sabe, um dia a ideia pegue no resto do mundo.

  Por fim, reflicto sobre a FALTA de variedade no mercado do leite. Sim, é verdade que agora há leite com mais cálcio, leite de soja, leite de fácil digestão, etc.. Mas, a bom ver, o teor de gordura no leite nunca mudou. A partir do leite gordo, fez-se o meio-gordo e o magro. E assim se ficou. Eu considero que o melhor leite se encontra na mistura em iguais partes de leite magro e meio-gordo. Leite meio-magro, vá. Acho um escândalo no mundo dos lacticínios lembrarem-se que até daria jeito ter na dispensa um pacote de natas de cogumelos ou natas de queijo, natas meio-gordas, natas leves e  natas levíssimas. Mas no que toca ao leite, que supostamente é um alimento que se consome mais que uma vez por dia, ainda não tiveram a ideia de emagrecer o leite meio-gordo, mas não até ao ponto de parecer que alguém pegou num pacote vazio de natas, o encheu com água e agitou muito bem.

quinta-feira, junho 03, 2010

Odeio Calor!!!

Toda a gente adora o Verão. "Ah e tal, ao sol é que se está bem"; "Vou apanhar um bronze de meter inveja!; "Andar com pouca roupa é que é bom!" [dizem as gajas badalhocas e os taradões que não se importam nada com isso].


Pois eu não gosto e não gosto mesmo nada! Gosto de andar com roupa. Sentir um friozinho a entrar pelo pescoço e andar com o aconchego de roupas fofinhas que nos fazem parecer lutadores de Sumo. Pronto, admito que custa sempre tomar banho ou mudar de roupa se não tivermos uma casinha com aquecimento central... Mas ao menos o cheiro do gel de banho mantém-se durante o dia, as raízes do cabelo não ficam sebosas após uma corridinha de 5 minutos e o desodorizante mantém-se o dia todo.


A propósito de desodorizantes, tenho dois pensamentos para partilhar:

  1) Com tanta publicidade que passa na tv, como é que há pessoas que ainda não sabem o que esta palavra quer dizer? Ou será que gostam tanto do aroma das cebolas que acham piada carregá-lo debaixo dos braços a tempo inteiro? Sempre ouvi dizer que a nossa liberdade termina quando começa a do próximo. Não gosto de ver a minha liberdade violada com bouquets de refogado humano e ponto final!

  2) O que raio são os desodorizantes com eficácia de 48h?! Ainda aceito que nos países nórdicos a malta não precise de banhos diários, porque transpiram muito menos. Mas aqui nos climas mais morninhos (como quem diz "em que parece que entrámos acidentalmente num forno com ventilação a 220ºC e com a assadeira accionada, ao sair à rua durante o dia"), o povo transpira tal como respira: é constante e inevitável. Depois vêm estes porcalhões inventar desodorizantes que duram dois dias inteirinhos e é uma esterqueira na rua que não se aguenta. Há dias, passei na rua de cedofeita e mais me parecia um aterro sanitário.


Mal de mim censurar quem transpira intensamente. Tenho problemas de saúde que fazem com que o meu organismo não regule a temperatura corporal eficientemente. Isto faz com que eu entre num café com ar condicionado e desate a transpirar compulsivamente, como se estivesse a ter um enfarte ou sei lá o quê. O que eu censuro é a falta de cuidado das pessoas. Só pensam "Olha, está calor. Vou andar fresquinho". Mas esquecem-se de olhar para o espelho ao sair e ao chegar a casa e de reflectir sobre o problema.


Há uma lista gigantesca das coisas que me irritam no Verão. Aqui ficam algumas delas:

  a) Mulheres de tops e t-shirts sem manga têm que tirar a pintelheira debaixo do braço. Minhas amigas: é chato, perde-se algum tempo com isso, mas a estética e a boa imagem são preciosas nos dias que correm (e já nem falo daquelas pessoas que têm os braços com tanto pêlo, que se não lhes olhasse para a fronha, pensava que estava a cruzar-me com lenhadores).

  b) Andar de chinelos na rua é inestético a meu ver, mas compreendo e respeito quem discorde. Agora, haja higiene! Unhas encardidas que se enrolam pelos dedos abaixo, cheias de porcaria lá por baixo, não. Se não vêm a figurinha que fazem ao andar com aqueles pés, ide a um oftalmologista. Eu tenho cerca de 3 dioptrias e meia em cada olho e mesmo assim apercebo-me do aspecto dos meus pézinhos sem as lentes. Acho que até os pés dos Hobbits do Senhor dos Anéis eram mais sedutores que esta badalhoquice.

 c) Encurtar as roupas, sim. Mostrar coisas a mais, não. Já dizia a famosa Katyzinha (e bem, acho eu... pelo menos neste assunto), que andar com o fio dental à mostra é coisa que dá um ar de putedo que valha-me nossa senhora. Acho que muita mulher ainda pensa que isso é sexy... Mas, para mim, não revelar muito o corpo ainda se torna mais sensual, porque deixa as pessoas a imaginar o que estará por baixo. O que pensam essas miúdas que os rapazitos vão achar ao ver o fio na anca com lacinhos cor de rosa à frente e/ou atrás? Eu pensaria "pronto, mais uma com cuecas da hello kitty."

 d) Para muitos, calor é sinal de férias e passar os dias a coçar a tomatada ao sol. Para mim, é o inferno na terra. Além dos exames que decorrem nos meses de Junho e Julho, mal entro de férias, tenho que alombar com a emigrantada que passa o resto do ano a sonhar com os nossos hipermercados. Não se pode ir ao Continente! É só gente a falar francês (e mal) como se o resto da família estivesse na outra ponta do corredor da secção ao lado. Uns na charcutaria a comprar peças inteiras de fiambre e chouriços que serviam para alimentar 2 ou 3 aldeias na Etiópia, outros nos congelados, a pensar no que hão-de grelhar durante a semana a seguir. Tenho pena destas pessoas. Suspeito que comam sandes o ano inteiro, quando estão lá nos arredores de "Paris de Fránça" porque de outra forma não se compreende como é que esvaziam as mercearias todas nas três ou quatro semanas que passam em Portugal.